As possibilidades e benefícios do uso de Realidade Virtual e Aumentada em EaD

Historicamente, o mercado educacional incorpora novas tecnologias em um ritmo um pouco lento. Embora o mercado de tecnologias educacionais seja grande, encontrar a melhor forma de adotá-las tem sido algo desafiador. Porém, às vezes surgem tecnologias que são impossíveis de ignorar, tanto por seu nível de inovação quanto pelas possibilidades de aplicação no aprendizado: as tecnologias de realidade virtual (RV) e de realidade aumentada (RA) são dois grandes exemplos. Do ensino básico ao ensino superior, as tecnologias de RA e de RV têm um potencial transformador para mudar a forma como aprendemos.

As possibilidades de aplicação de RA e RV no meio educacional são tão numerosas que se torna difícil especificar todas elas. Ainda existem inúmeras oportunidades para alavancar tecnologias de realidade aumentada e mista em educação a serem exploradas. Cada vez mais, instituições de ensino ao redor do mundo estão utilizando essas tecnologias, fazendo com que uma grande quantidade de criatividade, investimento e energia seja empregada em prol de tornar as RA e RV algo comum no ensino.

 augmented reality GIF

 

Aplicações de RA e RV em educação

A realidade virtual e a realidade aumentada chegaram para aproximar ainda mais o conteúdo dos estudantes, sempre de forma imersiva e interativa. Com elas, os alunos podem desfrutar de imagens que podem ser integradas à sua realidade tridimensional, fugindo do padrão apenas bidimensional dos objetos de aprendizagem tradicionais (como vídeos, e-books, entre outros).

Justamente por seu aspecto tecnológico ser integrado às tecnologias de uso cotidiano, como tablets e smartphones, o impacto e o sucesso nos processos educacionais são muito mais fortes. Conteúdos que antes utilizavam recursos como tabelas, gráficos e desenhos hoje podem facilmente ser substituídos por apenas um objeto de RA ou de RV contendo toda a explicação necessária. Com esses recursos, as apresentações de conteúdos e de realidades, que anteriormente eram distantes, são agora agregadas à própria realidade do cotidiano do estudante, e tudo de forma muito simples.

Vou exemplificar três experiências: imagine um curso a distância no qual você tenha que mostrar as partes de um motor para um aluno de Engenharia Mecânica ou os componentes do cérebro humano para um aluno de Medicina. Tarefa difícil, não é mesmo? Porém, por meio da realidade aumentada e da realidade virtual isto é possível. Seu aluno de Engenharia Mecânica pode, por exemplo, pelo intermédio de um dispositivo de RV, conhecer cada parte de um motor que se expande em peças, nomeando-as e explicando seu funcionamento em modelos tridimensionais. Ou ainda, seu aluno de Medicina pode conhecer os componentes do cérebro humano por meio da realidade aumentada, apenas girando o dispositivo em torno da cabeça de outro aluno, por exemplo, enquanto esse dispositivo mostra cada parte do órgão, sua nomenclatura, exemplifica o seu funcionamento; tudo de uma forma interativa e simples.

Imagine então que os alunos possam virtualmente viajar para o passado, para o espaço ou ainda para dentro do corpo humano. Além da capacidade de olhar livremente em torno dos ambientes, as tecnologias de RA e de RV podem fornecer conteúdo educacional em forma de narração, textos, pop-ups e imagens; obviamente, de forma interativa. Todas essas possibilidades, se bem desenvolvidas, podem enriquecer o processo de aprendizado de uma forma nunca antes imaginada.

 

Benefícios

Como todo o conteúdo exposto em realidade aumentada e realidade virtual tem forma tridimensional (3D), há uma série de benefícios para o aluno, independentemente da área de aprendizado em que ele se encontra:

  • facilita a memorização e o entendimento do assunto e da disciplina em questão;
  • promove envolvimento e engajamento dos alunos às aulas de forma criativa;
  • permite que se aprenda cognitivamente de forma mais rápida;
  • enriquece as atividades curriculares com conteúdos audiovisuais;
  • permite que o estudo aconteça de forma mais interativa e dinâmica; e
  • agrega o conteúdo digital ao mundo real, permitindo assim melhor absorção.

 

Segundo estudos do pesquisador americano Edgar Dale, o cérebro humano “costuma lembrar 10% do que lê, 20% do que ouve, mas 90% do que faz ou simula”. “Aprender fazendo” é conhecidamente uma das melhores formas de se manter o conhecimento e estimular um aprendizado de qualidade. Porém, até o advento da RV/RA, isto simplesmente não era viável para a maioria das disciplinas educacionais. Afinal, não é possível, simplesmente, levar alunos para viajar ao redor do mundo para conhecer e interagir com diferentes ambientes. Que dirá para o espaço, não é mesmo? Mas isto foi somente até os dias atuais, quando a realidade virtual nos dá esta possibilidade.

Como vimos, a realidade virtual e a realidade aumentada, embora sejam utilizadas majoritariamente para games e entretenimento, podem ter um grande avanço e conquistar espaço no ambiente educacional nos próximos anos, pois são metodologias imersivas de aprendizagem.

Em 2016, pesquisas norte-americanas – realizadas pelo Speak Up Research Project, voltadas para a aprendizagem digital e em busca de indicadores que possam mapear o papel da tecnologia como auxiliar nos processos de aprendizagem – constataram que o desenvolvimento profissional em práticas de instrução efetivas com esse tipo de conteúdo digital aumentou 48% em relação aos anos anteriores. Também ficou constatado que houve crescimento dos pedidos e planos de desenvolvimento profissional de RA/RV para educação: 13% dos educadores dizem que gostariam de utilizar estas tecnologias; e 20% dos administradores educacionais definem que adotar RA/RV nos processos educacionais é uma prioridade.

Ou seja, a demanda por esta tecnologia está aumentando cada vez mais. Conforme evolui e se torna popular, passa a ser cada vez mais imprescindível aplicá-las em nossos projetos educacionais, pois elas fazem parte da educação do futuro.